Minha vida estava acabada.
Não tinha mais porque viver.
Sim, eu tinha o Pedro. Meu irmão, ou não.
Nada mais fazia sentido.
-Ei lipe… vamos… sei lá…. no cinema?
- Não.eu quero ficar sozinho.- Essas coisas só me faziam cada vez mais me lembrar de Alice , mas Pedro não tinha culpa. Não mesmo, a culpa era toda minha por ter saído sem avisar, de ter saído e deixado ela sozinha, eu a matei. A culpa era toda minha, e agora eu não tinha como trazer ela de volta. Mas havia uma saída. Apenas uma.
Naquela noite, depois de Pedro tentar me animar varias vezes, coloquei-o na cama mais cedo e disse a ele.
- Durma bem meu pequeno e não esqueça… eu vou estar sempre contigo.
Fiquei ali deitado com ele por algumas horas, logo depois deixei todo o dinheiro que eu tinha em cima da mesa da cozinha, peguei o carro e fui até a cidade vizinha, me dirigi até o centro da cidade, onde ficava a ponte mais alta do estado, um pulo, e tudo teria acabado, sem dor, sem sofrimento, nem uma vida que só me machucara, que me tirara tudo que eu tinha, como uma pessoa malvada que tira um doce de uma criança. Essa é a vida meus amigos, ela esta lá sorrindo pra você em um momento e logo em seguida te da uma facada, faz você sangrar.
Um pulo.
Um passo.
Simples.
Rápido.
Fácil.
Morrer é fácil. Você não vê a sua vida diante dos seus olhos, não, isso é coisa de novela, simplesmente morre, como se cochilasse meio que sem querer durante uma aula chata de matemática, é fácil, mas as conseqüências são enormes. Queria poder dizer que há um céu, um paraíso, alguma coisa, mas não tem, existe apenas um vazio, uma vazio gigantesco, e um sentimento de esquecimento, algo como quando você esquece-se de desligar as panelas no fogo, algo como ser esquecido pelos amigos, Apenas um vazio.
A vida consegue te preparar para a morte, o que a torna muito mais fácil. Toda a dor da vida, não chega nem a se comparar com a dor da morte. Enfim eu estava junto com ela, com a minha amada e doce Alice, agora eu poderia tomar o seu saboroso café, para sempre.
Encontro-me em um mundo vazio,
Em que vive nestes meus 40 anos
Acreditando que um dia eis de encontrar
Alguém que me complete por inteiro
Ao longe o vento frio me corta
Com o sereno da noite você vem,
E com a mesma rapidez que veio
Também vai embora.
Eis que me encontro em um mundo vazio,
Onde tudo que acreditei foi desperdiçado
Vejo pessoas sendo felizes ao meu redor
Mas parece que sou imune a felicidade
A vida que me privou de tantos encontros
Que me proporcionou tantas aventuras
Agora me trai, deixando tudo
Como se meus últimos dias estivesem contados
Hoje faz 35 anos que você se foi
Deixando apenas lembranças
Lembranças de uma época
Que cultivo em mim
Talvez em uma casa com varanda a beira mar
Ou em um rancho no sertão
Sei que onde estiver estará feliz
Ao lado de outra pessoa.


